quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

0 JORNADA ATACAMA - DIA 7

Dia 7 : 24.02.2011

Etapa I - Antofagasta-CH a San Pedro Atacama-CH
Distância Percorrida : Asfalto :380km Cascalho: Total :380km

A partir de hoje estariamos deixando a costa chilena, que nos acompanhou desde nossa saída de Santiago.
Agora iriamos em direção a Cordilheira dos Andes pelo deserto do Atacama, no sentido nordeste. Nossa primeira parada planejada seria em Calama, a cerca de 200km de Antofagasta, onde re-encontraríamos Sandra, mulher de Michael, e as amigas Dil e Debora.
Elas iriam ficar dois dias conosco em San Pedro do Atacama.
Outro marco desse trecho seria o nosso primeiro contato com altitudes mais importantes. Saindo do nivel do mar, atingiriamos cerca de 3400 metros de altitude proximo a San Pedro Atacama.

Antes de deixarmos Antofagasta, aproveitamos para visitar ruinas indigenas da cultura Huanchaca que estavam em um sitio arqueológico dentro da cidade, disputando espaço com os predios e um moderno Hotel que fica em frente das ruínas.

Ruinas Huanchaca - Antofagasta


Grande Hotel - Antofagasta.











Sair da cidade e pegar a estrada foi muito fácil, e logo já estavamos na Rota 5 de novo. Neste trecho se podia ver que a ação das grande minas de cobre haviam remexido grande parte daquela ambiente.
Trafico razoavel , principalmente de caminhões tanque com acido sulfurico ou equipamentos pesados.
Muitas empresas instaladas ao longo da rodovia, uma estrada de ferro que tambem nos acompanhava por longos trechos, e de vez em quando um povoado que aparecia junto a pequenos oasis, onde se podia ver alguma vegetação verde.

Grandes Caminhões eram como formigas










Grande equipamentos para industria mineira






Trem que nos "seguiu" até Calama.

















Com esse cenário seguimos pela Rota 5 até entroncamento com a Rota 25 que iria nos levar a Calama e San Pedro Atacama. O cenário não mudou muito, totalmente árido, sem elevações, cores, nada, até que apareceu uma cidade mineira abandonada.
Diante da falta de outras alternativas fizemos uma parada por ali para sessão de fotos e descansar um pouco.
A cidade era da época de 1890, mas com o fim da mina de cobre ela acabou deixando de existir, já que na região não existia nenhuma outra atividade que pudesse sustentar seus habitantes.

Cidade Mineira abandonada Rota 25
Cidade Mineira abandonada Rota 25
















Calama ao Fundo - no meio do Deserto.
Chegamos a Calama cerca das 14:00h. Era uma cidade relativamente grande mas totalmente cercada de deserto por todos os lados, muito seca, inacreditável como pessoas pudessem viver por lá.
Calama


Depois de um rápido sanduiche e reabastecermos nossas bikes, fomos até o aeroporto para nos encontramos com Sandra, Dil e Debora.
Elas chegaram as 15:00h , e tinham uma van aguardando para levá-las até San Pedro de Atacama, distante 100km dalí.
Depois de contarmos as novidades, nos despedimos e fomos em direção a mina de Chuquicamata, considerada uma das maiores minas de cobre a céu aberto do mundo, com mais de 850 metros de profundidade.
Chuquicamata ao norte de Calama, cerca de 20km de distancia em boa auto estrada. Chegamos lá embaixo de um vento muito forte e pudemos somente ver a mina pela parte externa, pois não estava aberta para visitação.
Tiramos algumas fotos de montanhas de cascalho que eram os resíduos da extração de cobre. Verdadeiras montanhas as vezes nos confundiam como sendo montanhas naturais, tão grandes eram.

Chuquicamata



Chuquicamata















Voltamos a Calama e de lá tomamos a rodovia que nos levaria até San Pedro do Atacama. Logo apareceu uma reta sem fim que fez doer nossas bundas, embora o bom asfasto ajudasse  a vencer esse trecho mais rapidamente.

Calama a San Pedro Atacama
Acelerando chegamos "logo" ao fim da reta, numa região já montanhosa. De repente de calor um frio muito forte me fez colocar mais agasalho, mas 5 quilometros depois tive que tirarde novo, pois o calor voltou muito forte.
No alto de uma elevação um cenário totalmente diferente, parecia que estavamos na lua, e quase era mesmo, estavamos no conhecido Valle de la Luna, (Vale da Lua), já nas proximidades de San Pedro de Atacama, que podia ser visto ao longe numa área verde que se destacava no meio do deserto.

Vale da Lua


Vale da Lua com San Pedro Atacama ao fundo


Mais uma acelerada e pronto estavamos em San Pedro, e acreditem ou não começou a chover, pouco mas era chuva, algo que não acontecia, conforme nos informaram, ha sete anos. Será que tinhamos algo a ver com isso?..o Michael atrai chuva?..será?..bom vamos ter 2 dias por aqui para confirmar isso ou não..

Chovendo em San Pedro Atacama.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

0 JORNADA ATACAMA - DIA 6

Dia 6 : 23.02.2011

Etapa I - Chañaral-CH a Antofagasta-CH
Distância Percorrida : Asfalto: 470km, Cascalho:45km,Total :515km

O plano refeito para esse trecho previa somente estrada pavimentada, pelas Rota 1 e Rota 5 (Panamericana), mas vimos que existia um grande parque chamado Pan de Açucar ao norte de Chañaral, que poderia ser percorrido em trecho  de cascalho com 45km, que nos informaram ser muito boa.
Decidimos conhecer esse parque já que tinhamos tempo suficiente para chegar a Antofagasta, e o trecho não apresentaria nenhuma coisa interessante alem do próprio deserto e logicamente de ter o vento na cara acelerando as KTM. A Rota 1 seguia pela costa, enquanto a Rota 5 mais pelo interior. Nos pareceu mais interessante ir pela Rota 1 e poder desfrutar do Oceano Pacifico a nossa esquerda e do deserto a nossa direita.
Antes de colocarmos nossas máquinas novamente na estrada, lubrificamos as correntes já que haviamos rodado mais de 1000 km desde Santiago e ainda com o sol se espreguiçando nas montanhas a oeste.

Vocês devem estar se perguntando sobre o tanque reserva azul, que aparece na rabeta da moto, ajeitado não?..São vendidos nos Postos de Combustível COPEC, com alternativas de 10 litros ou 20 litros.
Estavamos levando um de 20 litros cada um, para poder enfrentar os trechos com mais de 500km sem reabastecimento que encontrariamos possilvelmente após San Pedro de Atacama.
Por enquanto não haviamos encontrado nenhum problema em reabastecer nossas bikes, que tinham um consumo médio de 15km / litro. Como seus tanques levam somente 20 litros, nossa autonomia era cerca de 250km a 300km., assim sempre estavamos alertas com a possibilidade de falta de gasolina, mesmo em zonas mais povoadas, lembram-se do que aconteceu em Los Vilos..
Saímos em direção ao Parque Pão de Açucar por uma estrada que se alternava entre cascalho e terra batida, muito boa realmente.


Já a paisagem era algo realmente de novo algo muito diferente, totalmente sem vegetação mesmo tendo o mar contornando a costa, com formações rochosas que pareciam brotar do solo arenoso. As vezes  podia se ver pequenas barracas de pessoas que aproveitavam para acampar em pequenas praias de areias brancas que esporadicamente aparareciam entre as formações rochosas.
Em uma praia muito bonita, existe uma área de camping, com alguma infra-estrutura para os campistas, que podem utilizar suas próprias barracas ou pequenas cabanas que estão instaladas ali. Embora numa área sem vegetação alguma, pernoitar nesse ambiente deve ser uma experiência que vale a pena.
Não demorou muito e chegamos a um local onde apareceu um pouco de verde e uma
trilha  de areia que levava a uma a área de proteção de Guanacos.
Sem nenhum atrativo diferenciado do que já haviamos visto, decidimos seguir em frente e não se aventurar pela trilha.
Atravessamos todo o parque na excelente estrada de terra batida até encontramos a Rota 5, conhecida tambem como Rodovia Pan Americana.
Nesse trecho ela já não é mais pista dupla, mas muito bem conservada e com trafico bastante intenso.
Tomamos o sentido norte e o tanque reserva do Michael teimava em não ficar quieto na rabeta de sua bike, paramos para mais uma ajeitada e encontramos umas tabuas de madeira que pareciam feitas para servir de suporte ao tanque.
Estavamos para voltar a pista quando chegou o guincho enorme dos amigos que encontramos no hotel de Chañaral. O Michael tinha conhecido o Hugo , motorista do caminhão e o Marco que ia numa caminhonete de apoio.
Quando nos viram no estacionamento nos reconheceram e pararam para ver se necessitavamos de ajuda. Eles tinham saído bem mais cedo do que nós, mas tinhamvindo direto pela Rota 5.
Aproveitamos para tirar algumas fotos e saber mais da grua, tinha capacidade de 450 Ton. e elevação de 60m, podendo chegar a 145m com acessorios. Tinha sido comprada por uma mina de cobre proximo a Calama.
Eles seguiriam pela Rota 5  até Antofagasta enquanto nós iriamos tomar  a Rota 1 um pouco a frente , para seguir pelo litoral. Nos despedimos  e acelerando pelo deserto logo chegamos ao entrocamento da Rota 5 com a Rota 1.
Pela Rota 1 , encontramos o mar de novo e chegamos a Taltal, cidade pequena que ficava numa baia circundada de montanhas completamente sem vegetação.
Seguimos em frente e o cenário se repetia com pequenas variações, a esquerda o Oceano Pacífico com todo seu azul e a direita montanhas desnudas que mesclavam cinza com marrom claro.
Quando aparecia uma praia, podia se ver alguma infra-estrutura para os banhistas mais corajosos que se arriscavam nas aguas geladas.
Uns 50 km depois de Taltal, num entrocamento proximo a Paposo, a Rota 1 que era de bom asfalto acabou e transformou-se em cascalho.
Mas ainda faltavam mais 100km até Antofagasta.
A duvida bateu seguir pela Rota 1 por mais ou menos 100km em cascalho,ou tomar no entrocamento a estrada asfaltada que nos levaria a Rota 5 um pouco antes de Antofagasta.
Nisso chegou um carro vindo pela Rota 1, perguntamos sobre as condições da estrada pelo que prontamente nos disse que as motos passariam, assim decidimos seguir em frente.
A estrada de cascalho foi piorando, embora em condições de acelerar nossas bikes, mas a lembrança de Los Cobres me deixava preocupado.
Alguns kilometros a frente encontramos um Jeep Cherokee em sentido contrário. Um casal de chilenos que tambem havia queria seguir pela rota 1 até Antofagasta nos informou então que estava voltando por que as condições da estrada mais a frente eram péssimas, e ele mesmo com o Jeep não via condições de trafegar.
Ufh, desta escapamos, mais uma vez informações desencontradas sobre condições das estradas.
Voltamos e logo chegamos ao entrocamento onde tomamos uma estrada novissima, com traçado em curvas em subida, no meio de montanhas não muito altas mas de um colorido mais "alegre".
Aos poucos fomos identificando que se tratava de uma area de muitas minas de cobre, até tentamos entrar em uma delas, mas infelizmente não deu, mas fotos tiramos...heheh
Quando terminou o trecho de subida e curvas, chegamos numa planície que em alguns trechos apareciam pedra sobre um solo arenoso, dando a impressão que era uma "plantação de pedras", caprichos da natureza.
  Chegamos ao entrocamento com a Rota 5 e tomamos a esquerda no sentido de Antofagasta, mas ainda nos faltava o grande troféu deste trecho, o encontro com o monumento "La Mano del Desierto" que ficava as margens da estrada.
Simbolo de nossa viagem, esse monumento é obra do artista chileno Mario Irarrázabal Covarrubias.
Concluída em Outubro de 1992 , tornou-se um simbolo da regiao do Deserto do Atacama.
Já estavamos a cerca de 40km de Antofagasta e nada da Mano, paramos para reabastecer e perguntamos quanto kilometros faltavam e ai a boa nóticia, não faltava, na realidade ela tinha ficado para tras, pois o entroncamento encontrou a Rota 5 após a Mano.
Portanto tinhamos que voltar cerca de 50km para encontrá-la, bom seria por mais 100km em nossas bundas que não iriamos ver ao vivo e a cores La Mano. Lá fomos nós, pagamos pela nossa desatenção, aliás o Michael pagou duas vezes, esqueceu de fechar o ziper de sua bolsa e perdeu sua bussola nesse trecho.
Acelerando pela Rota 5 La Mano não chegava, nossa anciedade fazia com que o trecho ficasse longo, mas de repente ao longe já foi possível avistá-la.
Cameras filmadoras a postos, fomos chegando, chegando, chegando, era muito bonito ver aquela mão humana emergindo do solo desertico era impactante.
Alguns turista se postavam diante dela para sessão obrigatória de fotos com várias poses e gestos.
Aguardamos que todos saíssem e então posicionamos nossas KTMs na mesma posição que tinhamos desenhado no nosso logo da Jornada Atacama.
Ficamos lá, para várias poses e fotos, até que os outros turisticas que haviam chegado, começassem a se incomodar e dar sinais que já estava na hora de cedermos o lugar.















































De alma lavada voltamos a Rota 5 no sentido de Antofagasta, onde iriamos pernoitar.
Ainda tentamos encontrar a bussóla de Michael, mas sem sucesso, infelizmente.
Chegamos a Antofagasta ainda com muito sol, a cidade portuária grande e bonita.
Logo nos alojamos em um bom hotel com preço razoável e o calor nos convidava para uma boa cerveja.
Convite que foi logo aceito, bastou um banho e já estavamos com nossas bikes, circulando pelas ruas de Antofagasta. Com centro comercial bastante agitado, percebia-se uma cidade dinâmica e moderna.  Num grande Shopping Center, aproveitamos para trocar um pouco mais de Pesos Chilenos. Tentamos encontrar uma bussola mas parece que o pessoal por aqui não usa muito esse tipo de equipamento não. Continuamos aproveitando o final da tarde para circular com nossas KTMs até encontrarmos uma choperia chamada Bundes Schop.
Nada mais convincente para nós, alí paramos e fomos matar a sede. O serviço da choperia era do tipo de chopp por metro, bom nada melhor para aquela hora.
Fomos atendidos por uma garçonete muito atenciosa e simpática, diferente das demais que eram um pouco ríspidas e diretas. Mais tarde descobrimos que ela não era chilena, era argentina de Salta.

Assim terminamos esse trecho de nossa jornada, num dia que como diz o Michael, fizemos com "meia bunda",Das sitzten wir auf der linken Arschbacke ab.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

0 JORNADA ATACAMA - DIA 5

Dia 5 : 22.02.2011
Etapa I - Los Brozes-CH a Chañaral-CH
Distância Percorrida : Asfalto :315km Cascalho:40km Total :355

O dia amanheceu as 6:30h, eu e Michael já nos remexiamos na cama depois de uma noite muito bem dormida.
A casa permanecia em silencio, ou seja dona Miriam nao havia se levando ainda, mas os dois litros de Coca Cola mais as varias cervejas já nos precionavam havia muito tempo para uma visita ao banheiro,nossas bexigas estavam estourando,.. mas onde ficava o banheiro? , não tinhamos nenhuma idéia.
Nossa Pousada em Los Bronzes
E Dona Miriam não se levantava!!!...não deu para segurar e saimos para fora e aliviamos a pressão na praia mesmo...ahhh.
O dia começava a amanhecer e pudemos então ver com mais detalhes onde estávamos.
Nossas bikes estavam lá, nos esperando cobertas pelo orvalho da noite.
Na realidade não havia praia, mas uma costa bastante irregular, repleta de pedras  com um caminho de cascalho  ligando as diversas casas que formavam a comunidade de Los Bronzes.

Los Bronzes

Algas Marinhas

Pudemos então conhecer as famosas algas,fonte de sustento de todas aquelas familias que havíamos conhecido pelo caminho de cerca de 30 km pela costa.
Eram pequenos fardos de aproximadamente um metro de diametro por um metro de altura, que ficavam secando ao sol, até que um caminhão viesse buscá-los o que ocorria de uma a duas vezes ao mês.
Esses fardos de algas eram vendidos a $100 Pesos por quilo, cada fardo de alga pesava cerca de 50kg, o que rendia cerca de US$10 por fardo.
De acordo com David, quase 100% da produção era exportada para o Japão, que utiliza para produção desde de nylon biodegradável a cosméticos.
Enquanto faziamos o reconhecimento da área, Dona Miriam já havia se levantado e nos preparava o café da manhã, com direito a ovos fritos, café e pão com manteiga.
David e Senhor José se juntaram a nós e com o dia já claro, nos despedimos dessa familia que nos deu uma lição de solidariedade e hospitalidade.
Finalmente a estrada de cascalho
Senhor José ainda pegou sua caminhonete e nos conduziu por entre um emaranhado de caminhos até o início da estrada de cascalho que nos levaria até Huasco Bajo.
Não era uma estrada de cascalho  das melhores mas pudemos desenvolver bom ritmo nos seus 40km e logo chegarmos a Huasco.
Cidade portuária pequena, com uma industria em sua baia que poluía bastante o ar da baia onde estava instalada, não tivemos tempo de pesquisar mais detalhes já que tinhamos que recuperar o atraso do dia anterior.
Huasco
Primeira Cerveja do dia - Huasco
Aproveitamos  para tomar uma cerveja matinal e tambem mandar mensagens para nossas famílias, que como imaginávamos estavam preocupadas com falta de noticias no dia anterior.
 Para entender melhor o que havia ocorrido conosco no dia anterior vejam no detalhe do mapa abaixo onde tomamos direçõe erradas que nos levaram a não chegar ao destino planejado, Taltal, mas que nos proporcionou essa inesquecível experiência de ter convivido, mesmo que por só uma noite, com Dona Mirian e sua família. Nosso primeiro erro foi quando alguns quilometros após Punta los Choros, tomamos a esquerda a rota C496, seguindo orientação do motorista da caminhonete, quando o correto teria sido mais a frente e tomando estrada de cascalho com destino a Maltencillo.
O mapa dos erros
O segundo erro foi seguir orientação do meu chará Sr. Wilson e continuar na trilha costeira acreditando que a estrada de cascalho para La Fraguita existisse, ela não passa de um caminho entre as dunas, só transitável para cavalos.
Lição aprendida a partir de agora seríamos mais críticos com informações mesmo dos grandes "conhecedores" locais, pois embora não tivessemos nenhum problema de comunicação, fomos levados a caminhos totalmente diferente daqueles que queríamos.
Além disso, ter sempre agua ou algum tipo de liquido para beber e algo para comer como biscoitos, barra de cereais, etc, independente de onde estivéssemos, passou a ser regra.
Tinhamos nos atrasado cerca de 300km em relação ao plano original, assim deveríamos ajustar o plano do dia de hoje para podermos nos voltar novamente  ao planejado.
Decidimos então chegar até Chañaral a 280 km de Huasco pela via costeira C326, asfaltada e inaugurada a pouco tempo, até Caldera e de lá até Chañaral pela Rota 5.


Voltando a Rota


Embora essa estrada percorresse caminho bem próximo a costa do Oceano Pacífico, a região era seca e desertica, um cenário muito estranho para nós.
De vez em quando aparecia um povoado no meio de praticamente nada, um em particular nos chamou a atenção, Puerto Viejo. Localizado numa pequena baia, era um agromerado de pequena casas coloridas, que se destacavam no meio de suas ruas de areia. Sua aparência nos impressionou e também nos intrigou muito, pois afinal do que vivia aquela comunidade? não vimos nada mais do que aquelas casinhas e uma Igreja. Não existiam barcos, porto, industria, nada.

Puerto Viejo



Seguimos intrigados nosso caminho,  não demorou muito e chegamos a Bahia Inglesa, cidade tambem pequena mas totalmente diferente de Puerto Viejo.
Embora tambem enclavada no mesmo tipo de ambiente desertico, já era um balneário frequentado por muitas familias que desfrutavam os ultimos dias das férias escolares em praias de areias deslumbrantes que contrastavam com o mar azul turquesa, davam um ar muito charmoso ao local.
Algumas piscinas naturais formadas por  arrecifes bem próximos a costa, convidavam a um banho de mar.
A avenida a beira mar com estrutura de hoteis e restaurantes estava agitada com turistas circulando por todos os lados.
Com um cenário desses, não resisitimos e  resolvemos almoçar alí, desfrutando de bons frutos do mar e logicamente de uma Kunstmann Torobayo.

Bahia Inglesa

Precisa legenda ?


   












Bahia Inglesa


Mas ainda tinhamos estrada pela frete até Chañaral, mas como diz meu amigo Michael:  "Das sitzten wir auf der linken Arschbacke ab", que ele me traduziu mais ou menos assim : usando só meia bunda chegariamos logo lá.
Depois de uma volta por Bahia Inglesa, nossas KTM na estrada de novo e logo chegamos a Caldera onde iríamos tomar a Rota 5.
Caldera é uma pequena cidade portuária muito tranquila,  limpa com ruas largas e uma avenida a beira mar com varios quiosques e bares.
Caldera : Olha a tranquilidade do cachorro.
Caldera.
 Voltamos para a estrada, agora na Rota 5 com destino a Chañaral onde iríamos encerrar esse dia.
Cerca de 100km depois chegamos e mais uma vez surpresa, Chañaral era totalmente diferente de Caldera e Bahia Inglesa.
Cidade mineira, ficava aos pés de  montanhas e o mar com um praia de enorme profundidade. O vento forte levantava uma poeira que parecia cobrir toda a cidade.
Começamos a busca por um Hotel e não foi dificil encontrar um que nos agradasse embora não existissem muitas alternativas.
Por coincidência ficava ao lado de um restaurante chinês, o primeiro que vimos desde que saímos de Santiago, de novo algo intrigante, como e por que chineses tinham vindo se instalar aqui?.
Me fez lembrar tambem de grandes amigos chineses que acabei fazendo em minhas recentes viagens a China, mas que não me permitem entender absolutamente nada do que estava escrito em mandarim.
Entrando no hotel encontramos também os motoristas de um guincho gigantesto (obviamente de fabricação alemã..essa é do Michael..hehe) que já tínhamos admirados no posto perto do hotel.
Michael bate um papo com eles e eles  dizem  preferir as paisagens do norte da Chile às do  Sul, porque o sul é somente verde, enquanto o deserto é muito mais colorido.
Ficamos sem entender, deserto colorido !!! mas alguns dias depois iriamos ver que eles tinham razão.
Após jantarmos próximo ao hotel, não foi no restaurante chinês,encerramos esse trecho de nossa Jornada, indo para a cama mais cedo para recuperar nossas forças e nos prepararmos para o sexto dia, que prometia um grande encontro, com la Mano del Desierto.


Chañaral
Chañaral

Chañaral
 

Chañaral



 

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